Uma reflexão sobre as práticas, tarefas, actividades, papéis, atribuições, … dos professores
“O professor é sobretudo um profissional da relação (...) é uma profissão com enormes possibilidades de realização pessoal e, simultaneamente, é uma profissão em que a frustração quando acontece, pode ter um dos efeitos mais destruidores, uma vez que, quando não me realizo profissionalmente, não me construo como pessoa” (Teixeira, 1995, p. 161).
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A escola é assim um sistema complexo que apela à constante criatividade do professor, pois existem “(...) factores aleatórios e imprevisíveis no acto educativo” (Nóvoa, 1992, p. 14). Assume-se, deste modo e reiterado por “todos”, uma aproximação entre a actividade docente e a arte. Harris (1976, cit. Woods, in Nóvoa, 1991) dizia mesmo sem receios que o ensino é uma arte. Considerava os professores actores, como aliás são constantemente designados noutra perspectiva, tendo literalmente de representar em vários contextos dentro da escola. Dizia ainda que o professor tem de actuar como comediante ressalvando no entanto que esta questão precisa de ser estudada. Justificando-se, dizia que têm de abrilhantar ou enfeitar os textos, os discursos e as equações, de forma a ficarem mais apetecíveis aos alunos. Facilmente se constata que um sentido de humor oportuno e uma boa disposição pode ser contaminante e ser essencial para a criação de um clima saudável. Aliás Goodson (in Nóvoa, 1992), referindo-se a um colega, deixa escapar as seguintes características de um excelente professor: "(...) muito popular entre os alunos, aberto, com sentido de humor, cativante e motivador” (in idem, p. 65). João Amado, numa acção de formação em 2006 na Escola Secundária Engenheiro Acácio Calazans Duarte, dizia, num contexto de prevenção da indisciplina, que o “professor tem de saber rir”. Mas atenção: as atitudes confrontadoras das rotinas burocratizadas, robotizadas e instaladas, podem alimentar os “vigilantes da legalidade”, os mais “seguidistas”, e iniciar-se mais algum mal-estar provocado por eventuais incompreensões resultando em acusações suportadas por esse alinhamento à retórica.
Na obra de Teixeira (1995), com base em Formosinho (1987), retiram-se as seguintes funções gerais que de uma forma consensual aparecem, implicitamente, na maioria dos textos relacionados: (a) “instruir” no seguimento dos conteúdos programáticos bem com a avaliação da sua aquisição, (b) “educar” valores e atitudes introduzindo o gosto em participar em actividades extra-lectivas de índole educativa, (c) “desenvolver acções educativas no meio” e, (d) “outras funções de natureza instrumental” tal como cuidar da escola, informar e realizar estudos e trabalhos de investig
Assim, e resumindo, o professor é um transmissor de conhecimentos, é um criador de conhecimentos (devia ser), é um acreditador de conhecimentos (certifica), é um criativo e artista (engendra e improvisa), é um crente (acredita que todos podem aprender), é um apaixonado pelos alunos (sem excepção), é um justiceiro, é um avaliador/classificador, é um socializador e educador (aqui, idealmente, em estreita colaboração com os encarregados de educação) e, ainda, é um funcionário (embora esta vertente devesse ser reduzida a perto de zero). Estou seguro ao afirmar que ninguém faz tanta falta a um país como o professor. Por isso, apoiem-no e dotem-no.
Referências bibliográficas
· NÓVOA, António (org.) – Profissão Professores. Porto: Porto Editora, 1991
· NÓVOA, António (org.) – Vida de Professores. Porto: Porto Editora, 1992
· TEIXEIRA, Manuela – O Professor e a Escola – Perspectivas Organizacionais. Amadora: McGraw-Hill, 1995
· TEODORO, António – Professores, para quê? Mudanças e Desafios na Profissão Docente. Porto: Profedições, 2006
Luís Filipe Firmino Ricardo (2008)